Presidente Lula quer Henrique Meireles como vice de Dilma mas PMDB não concorda

In: Política

11 mar 2010

Ainda que relute em assumir publicamente, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, já bateu o martelo: vai mesmo deixar o cargo de olho na vaga de vice na chapa da candidata do PT, a ministra Dilma Rousseff. Pelo que está programado, Meirelles entrará em licença no dia 22 deste mês e anunciará o seu desligamento no dia 31, dois dias antes do prazo final dado pela Justiça Eleitoral. Com ele, deixará o BC o diretor de Política Econômica, Mário Mesquita, apontado como o mais conservador dos integrantes do primeiro escalão. Há um acordo fechado entre eles nesse sentido. O sucessor de Meirelles será o diretor de Normas, Alexandre Tombini.

Meirelles aproveitará até junho, quando, efetivamente, a campanha começará, para trabalhar nos bastidores e garantir sua inclusão na chapa de Dilma. O presidente do BC acredita que poderá alcançar seu objetivo com o apoio do presidente Lula, que vem defendendo seu nome para a vaga de vice. O PT considera a presença de Meirelles uma garantia aos investidores de que a política econômica — baseada no tripé metas de inflação, câmbio flutuante e superavit fiscal — será mantida se a petista vencer nas urnas. Na opinião de muitos, Meirelles é, para Dilma, o que o empresário José Alencar representou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 e até mais: seria a letra viva da carta aos brasileiros que o então candidato Lula apresentou aos eleitores com o compromisso de não mudar os pilares da política econômica.

Meirelles, no entanto, sabe que não será tarefa fácil, pois a cúpula do PMDB — formada pelo presidente do Senado, José Sarney (AP), e pelos líderes partidários no Congresso, senador Renan Calheiros (AL) e deputado Henrique Eduardo Alves (RN) — está fechada com o presidente do partido e da Câmara, Michel Temer (SP). Caso não consiga quebrar a barreira imposta pela cúpula do PMDB, restará a Meirelles disputar uma vaga ao Senado pelo PMDB, com a garantia de assumir o Ministério da Fazenda de Dilma, em caso de vitória.(Denise Rothenburg/Vicente Nunes)

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