Nos últimos anos, o mercado global de shows viveu uma transformação sem precedentes. Segundo a Statista, a venda de ingressos para música ao vivo deve alcançar US$ 36,71 bilhões em 2025, com crescimento anual de 5,49% até 2030. Se por um lado o setor projeta expansão contínua, por outro, enfrenta um dilema que ameaça a base da indústria: o preço dos ingressos.
Insatisfação global do público
A escalada nos valores médios vem sendo observada em diferentes mercados, especialmente após a pandemia. Produtores enfrentam aumento de custos operacionais (logística, equipe, infraestrutura, impostos), mas também a pressão de um público que começa a questionar até que ponto está disposto a pagar. Nos Estados Unidos, críticas à Ticketmaster e a artistas que cobram ingressos acima de US$ 500 por assento já acenderam um alerta.
No Brasil, a situação não é diferente. Dados da ABRAPE (Associação Brasileira de Promotores de Eventos) indicam que 2024 foi um ano de recordes em público, mas também de insatisfação com valores cobrados em grandes arenas. Esse cenário coloca os produtores diante de uma encruzilhada: como equilibrar rentabilidade com acessibilidade?
Como driblar o problema
A resposta passa pela segmentação. Estratégias como ingressos escalonados, pacotes premium e experiências diferenciadas (meet & greet, camarotes exclusivos, merchandising incluso) permitem manter a base de fãs dentro do evento, enquanto capturam valor adicional dos consumidores dispostos a gastar mais. Esse modelo já é consolidado em festivais internacionais e deve se tornar obrigatório em shows de médio e grande porte no Brasil.
Outro ponto é a tecnologia. O uso de plataformas de venda inteligente pode ajudar a precificar ingressos em tempo real, ajustando valores conforme demanda, data e perfil do público. Esse “dinamismo” na bilheteria já é adotado em companhias aéreas e pode ser aplicado com eficiência em eventos, garantindo ocupação máxima sem queimar margem.
O ingresso deixou de ser apenas uma entrada. Ele representa status, pertencimento e até exclusividade. O desafio para o produtor é não perder o público fiel, que forma a base da cultura de shows, enquanto explora novas fontes de receita.
A questão que fica é: se os ingressos continuarem a subir sem inovação, será que não estamos correndo o risco de transformar os shows em um produto restrito às elites? O futuro da indústria pode depender da resposta.